
As ruas amanhecem tão vazias,
Mas mil janelas seguem sempre acesas;
Sirenes cortam horas longas, frias,
E almas sem nome passam indefesas.
Nos prédios, vozes tornam-se sombrias,
Atrás dos vidros, solidões são presas;
Eu conto passos nas esquinas tardias,
Enquanto as sombras fingem sair ilesas.
Às três, meu passo ecoa no deserto,
Um vulto vem atrás, cada vez mais perto,
E tem meu rosto, feito solidão.
Corro; as vitrines bebem meu semblante,
Cada janela acende um vigilante:
Eu era a assombração.
Entre no portal dos Sonetos da Luna Bela Morte e percorra uma seleção de seus melhores sonetos já publicados. Ali, a poesia gótica encontra a noite, o mistério e a beleza sombria em versos que parecem sussurrados depois da meia-noite.
Atravesse e deixe-se conduzir pela voz de Luna, recitando a escuridão através de sua poesia: