
A poesia que mata floresce em minha libido,
Na lua cheia, eu tremo ante o fruto proibido;
A noite maldita me chama em tom contido,
E o pecado abre os braços como um anjo caído.
A poesia que mata... nasce do beijo ferido,
Quando o desejo me escreve em sangue escondido;
Cada suspiro se torna um salmo corrompido,
Cada flor que me toca apodrece em meu sentido.
A poesia que mata... bebe o rubro gemido,
De um coração que se entrega ao veneno querido;
Sou chama, sou culpa, sou altar demolido,
Sou carne rezando por tudo que é proibido.
A poesia que mata... tem um riso possuído,
Rasga a minha alma num incêndio incontido;
Corvos me cercam, meu nome é repetido,
Como se o inferno me houvesse escolhido.
A poesia que mata... faz do peito um estampido,
Não de pólvora, mas de amor enlouquecido;
Meu coração explode em lírio enegrecido,
E o céu cospe sangue sobre o chão partido.
A poesia que mata... é meu pacto assumido,
Meu pecado coroado, meu terror preferido;
Na noite maldita, com o corpo em ruído,
A poesia que mata floresce em minha libido!