Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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No véu do abismo, em noite desgrenhada,
guio o timão do nada e da agonia,
o vento uiva em voz desesperada,
trazendo almas à minha companhia.

Meu casco corta a treva envenenada,
a lua sangra em fria melancolia,
e o mar (prisão de espuma atormentada)
sussurra preces de necromancia.

O sino toca, o tempo se desfaz,
Sou capitã dos mortos e sua paz,
espelhos vivos da minha loucura.

Em mim vejo mil rostos sem perdão,
a caravela é feita de solidão,
e o mar... meu templo, minha sepultura.

Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 22/05/2026
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