
Laracna vela, pálida, sobre o muro frio,
Seus olhos bordam vazios a noite em pranto,
Tece em dedos de sombra um lento desafio,
E a lua, cúmplice, veta todo o encanto.
No ventre da teia, um rumor de infância arde,
Memórias maternas enrolam-se em fios de fome;
Cada passo humano é presilha que não tarde,
Cada braço que passa vira verbo de um nome.
O medo cresce... é mãe que morde e que devora,
Cresce em veias de seda, incha em sala escura;
A psique treme, e do fundo a imagem aflora:
Laracna sussurra o segredo da cintura:
Que o mundo é amálgama onde a infância chora,
E que o toque materno pode ser lei e tortura.