Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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A Teia do Útero
Data: 16/05/2026
Créditos:
Autoria e Voz: Luna Bela Morte.

NOTA: Este poema fala sobre a simbologia aracnídea e a leitura freudiana em relação à lenda: Freud associa aranhas a imagens maternas e conflitos psicosexuais; outros autores veem a aranha como arquétipo do “self sombra” e símbolo de tecelagem do destino.

Gostou?
Se alguns versos já te puxaram pra dentro, imagina um livro inteiro sussurrando no escuro.
Este soneto pertence ao meu livro: "Poesia para ser lida no cemitério".

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Laracna vela, pálida, sobre o muro frio,
Seus olhos bordam vazios a noite em pranto,
Tece em dedos de sombra um lento desafio,
E a lua, cúmplice, veta todo o encanto.

No ventre da teia, um rumor de infância arde,
Memórias maternas enrolam-se em fios de fome;
Cada passo humano é presilha que não tarde,
Cada braço que passa vira verbo de um nome.

O medo cresce... é mãe que morde e que devora,
Cresce em veias de seda, incha em sala escura;
A psique treme, e do fundo a imagem aflora:

Laracna sussurra o segredo da cintura:
Que o mundo é amálgama onde a infância chora,
E que o toque materno pode ser lei e tortura.

Enviado por Luna Bela Morte em 16/05/2026
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