NOTA: Este poema fala sobre a simbologia aracnídea e a leitura freudiana em relação à lenda: Freud associa aranhas a imagens maternas e conflitos psicosexuais; outros autores veem a aranha como arquétipo do “self sombra” e símbolo de tecelagem do destino.
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Se alguns versos já te puxaram pra dentro, imagina um livro inteiro sussurrando no escuro.
Este soneto pertence ao meu livro: "Poesia para ser lida no cemitério".
Laracna vela, pálida, sobre o muro frio, Seus olhos bordam vazios a noite em pranto, Tece em dedos de sombra um lento desafio, E a lua, cúmplice, veta todo o encanto.
No ventre da teia, um rumor de infância arde, Memórias maternas enrolam-se em fios de fome; Cada passo humano é presilha que não tarde, Cada braço que passa vira verbo de um nome.
O medo cresce... é mãe que morde e que devora, Cresce em veias de seda, incha em sala escura; A psique treme, e do fundo a imagem aflora:
Laracna sussurra o segredo da cintura: Que o mundo é amálgama onde a infância chora, E que o toque materno pode ser lei e tortura.