
A rua, antes concreta, já não teve
mais peso que um delírio maldito.
Contra a versão que um dia me susteve,
segui. E cada passo era um delito.
Em cada sombra, um rosto que não deve
ser visto... mas me encara, e eu admito.
E o chão sob meus pés se dissolveu leve.
O lobo ia à frente... ermo, infinito.
A noite abriu-se em carne e claridade.
"Aqui, a dor é uma forma de verdade.".
Soprou-me, em brasa fria, o seu aviso.
Toquei no medo e ri de nossa maldade,
pois há, naquilo que chamam insanidade,
um lar mais honesto que o juízo.