
Não era som, era um chamamento lento
rasgando a carne cega da razão.
Ouvi meu nome em lâmina de vento,
em noite em que Deus virou o rosto em vão.
Então o vi (sem forma, sem intento),
mas pleno, como antiga perdição.
Curvou-se ao peso escuro do momento.
Parei. E o mundo, em súbita negação.
Seus olhos eram poços de memória,
ali bebi o fel da própria história
onde a verdade apodrecida ardia.
-- Demoras - disse a voz que me invadia;
E ao toque, em mim, nasceu quem me devora e guia.
Respondi: -- Fui me perder... essa foi a glória.