Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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Sobrevivi... e a própria salvação

me acusa em silêncio frio.

Um gosto amargo preso à respiração;

Carrego a culpa como um véu tardio.

Ao eco morto de um poder vazio

Por que imploro ainda absolvição?

Se tive o direito ao gesto sombrio

que rompeu de vez a antiga prisão.

Reconstruo-me em ruínas, devagar,

aprendo o difícil verbo de habitar

um corpo que não pede permissão.

E entre a culpa e a lâmina do meu caminho,

leio, na minha pele, como um pergaminho:

liberdade também é contradição.

Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 24/04/2026
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