
Sobrevivi... e a própria salvação
me acusa em silêncio frio.
Um gosto amargo preso à respiração;
Carrego a culpa como um véu tardio.
Ao eco morto de um poder vazio
Por que imploro ainda absolvição?
Se tive o direito ao gesto sombrio
que rompeu de vez a antiga prisão.
Reconstruo-me em ruínas, devagar,
aprendo o difícil verbo de habitar
um corpo que não pede permissão.
E entre a culpa e a lâmina do meu caminho,
leio, na minha pele, como um pergaminho:
liberdade também é contradição.