
É voz antiga moldando a opressão,
um sussurro herdado em forma de açoite.
Não tem um nome, mas me chama em vão;
Não tem um rosto, mas me encara à noite.
Não é um homem só; é o mesmo mal;
um espectro erguido em dominação,
que veste norma e finge ser normal;
que atravessa o tempo em tradição.
Habita gestos, leis e educação,
dita em silêncio o tom da submissão,
faz do passado um código presente.
E mesmo quando o corpo se liberta,
há sempre uma sombra à porta aberta
lembrando quem já fui, e quem me sente.