Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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Cada clique sentencia, em fria usura.

O que mal foi ouvido já é escrito.

Um retrato falado em pixel e fúria.

Na praça digital, erguem meu delito.

A multidão bebe a culpa, crua e impura,

como vinho barato em tom maldito.

Há prazer na condenação que se apura;

O tribunal virtual decreta o seu rito.

O algoritmo afia a própria lâmina,

serve a dor ao mundo em doce dinâmica

e transforma a vergonha em espetáculo.

E eu, reduzida a um rosto consumido,

morro em cada julgamento repetido,

sem defesa, sem tempo, sem oráculo.

Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 06/04/2026
Alterado em 06/04/2026
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