
Cada clique sentencia, em fria usura.
O que mal foi ouvido já é escrito.
Um retrato falado em pixel e fúria.
Na praça digital, erguem meu delito.
A multidão bebe a culpa, crua e impura,
como vinho barato em tom maldito.
Há prazer na condenação que se apura;
O tribunal virtual decreta o seu rito.
O algoritmo afia a própria lâmina,
serve a dor ao mundo em doce dinâmica
e transforma a vergonha em espetáculo.
E eu, reduzida a um rosto consumido,
morro em cada julgamento repetido,
sem defesa, sem tempo, sem oráculo.