
Carvão traçando a face perseguida...
Na praça erguem meu rosto em cartaz frio,
sou prova viva de uma dor sofrida,
mas vestem culpa em meu olhar tardio.
O povo julga a história mal ouvida.
A vítima, no rumor do desafio,
transforma-se em suspeita na avenida;
faz do meu pranto um réu no próprio brio.
Perguntam por que não fugi do inferno,
por que tolerei o punho tão eterno,
como se a dor fosse uma decisão.
E assim me acusam, pálida e ferida
no cruel retrato falado da vida.
Sobreviver é minha nova aflição...