Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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No espelho, a noite se abre e me reclama, escura,
e o vidro me devolve um segredo em seu olhar;
há uma voz que me veste de pó e de mistura,
e me ensina, sutil, as formas de ceder e falar.

 

Seus dedos são promessas que acendem a tortura,
fazem minhas veias pequenas tochas a brilhar;
me embalam num rito que mistura dor e loucura,
me convidam (e eu quero enfim aprender a sussurrar).

 

Algo em mim se ergue, e o mundo invade o espelho frio,
sopra a sombra um vago presságio, um arrepio;
Beija a língua da fera que em meu silêncio habita,
Atravessando a noite... em frenesi...

 

O monstro interno me toma com perfume e ardor,
vende-me pecado em trovas de lúcido ardor,
e no ápice do encanto, rasga o silêncio e grita: 
Eu estou aqui... Eu estou aqui... EU ESTOU AQUI!

Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 09/12/2025
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