
Voltei à casa que apodrecia,
E vi uma papoula no cimento;
Não chamei de esperança o que nascia,
Pois conheço o perfume do tormento.
A chuva pelas vigas escorria,
Lavando nomes, cinza e juramento;
E a flor, sem pedir luz, permanecia,
Bebendo ferrugem e esquecimento.
Meu corpo conservou a cicatriz,
A flor cravou no entulho sua raiz,
Sem me prometer qualquer redenção.
Não houve cura. Tudo ainda era
Ruína em flor, sob a primavera:
Florir também é decomposição.
Entre no portal dos Sonetos da Luna Bela Morte e percorra uma seleção de seus melhores sonetos já publicados. Ali, a poesia gótica encontra a noite, o mistério e a beleza sombria em versos que parecem sussurrados depois da meia-noite.
Atravesse e deixe-se conduzir pela voz de Luna, recitando a escuridão através de sua poesia: