
Título: Carmilla: Uma história de vampira em quatro versões
Autor: J. Sheridan Le Fanu
Organização: Luise Soares Pereira de Souza
Editora: FALE/UFMG — Publicações Viva Voz
Ano: 2016
Gênero: Literatura gótica, horror sobrenatural, novela vampírica
Edição analisada: com atenção principal à versão “Carmilla — A Vampira de Karnstein”, tradução de José Roberto O’Shea, originalmente publicada pela Hedra em 2010
Pontuação final: ★★★★☆ — 4 de 5 estrelas — Ótimo.
Contrariando a ideia de vampiros violentos que arrombam janelas depois de convidados a entrar, Carmilla seduz tanto, que qualquer um fica tentado em convidá-la a entrar.
Talvez seja essa a perversidade mais elegante da novela de J. Sheridan Le Fanu. Antes de sangue, cadáveres e sepulturas violadas, existe hospitalidade e confiança. Uma jovem solitária desejando companhia, belíssima e misteriosa, que chega aparentemente frágil, necessitada de proteção. Quando a ameaça finalmente recebe um nome, ela já dormiu sob o mesmo teto, recebeu carícias e ocupou um lugar íntimo demais para ser removida sem deixar marcas.
Publicado originalmente entre 1871 e 1872, Carmilla antecede Drácula, de Bram Stoker, em mais de duas décadas. A introdução desta edição lembra que a novela apareceu primeiro na revista The Dark Blue e depois foi incorporada à coletânea In a Glass Darkly. A comparação com Stoker é inevitável, mas limitar Le Fanu à condição de precursor seria uma maneira bastante eficiente de diminuir justamente aquilo que sua obra possui de mais inquietante. Carmilla não é apenas importante porque veio antes. Ela continua perturbadora porque constrói seu horror em torno de desejo, intimidade, repressão e ambiguidade.
A edição da FALE/UFMG torna essa leitura especialmente interessante ao reunir o texto e diferentes versões em português, permitindo perceber como a criatura sobrevive não apenas aos séculos, mas também às traduções. O próprio sumário apresenta as diferentes encarnações da narrativa, incluindo Carmilla: Morrer de Prazer e Carmilla: A Vampira de Karnstein. Para esta resenha, concentro-me sobretudo no segundo, correspondente à tradução de José Roberto O’Shea.
A narradora é Laura, jovem de dezenove anos que vive com o pai num castelo isolado na Estíria. Sua existência é protegida, confortável e profundamente solitária. O cenário não serve apenas como decoração gótica. A floresta extensa, as ruínas próximas, os túmulos dos Karnstein e a distância de qualquer núcleo habitado criam uma espécie de confinamento elegante. Laura possui espaço, criados, segurança material e quase nenhuma vida social. Le Fanu compreende algo bastante desagradável sobre seres humanos: muitas portas perigosas não são abertas pela imprudência, mas pela solidão.
A primeira ruptura ocorre muito antes da chegada formal de Carmilla. Ainda criança, Laura acorda certa noite e encontra uma bela jovem ao lado da cama. A figura a acaricia, deita-se junto dela e, mais tarde, provoca no peito da menina a sensação de duas agulhas penetrando sua carne. A família trata o acontecimento como possível sonho, embora o próprio quarto pareça conservar sinais de uma presença real. Esse episódio inicial é um dos mecanismos mais eficientes da novela porque planta a ameaça anos antes de explicá-la. Le Fanu instala uma lembrança que vai além de um susto descartável.
Quando Carmilla surge novamente na vida de Laura, chega através de um acidente de carruagem quase teatral. Sua suposta mãe precisa prosseguir uma viagem urgente e deixa a filha sob os cuidados da família. O pai de Laura percebe algo estranho na situação, mas aceita a hóspede. A própria Laura recebe a perspectiva daquela nova amizade com entusiasmo. A armadilha não precisa se fechar. A vítima ajuda a prepará-la.
É dentro dessa convivência que Carmilla revela sua maior força.
Carmilla é simultaneamente predadora e objeto de fascinação. Sua aparência lânguida, sua beleza, a voz suave, os hábitos incomuns e a recusa persistente em fornecer informações sobre si mesma produzem uma personagem cuja atração depende justamente daquilo que ela esconde. Quando Laura tenta conhecer sua origem, consegue apenas três respostas: chama-se Carmilla, pertence a uma família antiga e nobre e vive no oeste. Tudo mais permanece coberto por uma névoa conveniente.
A relação entre as duas jovens ultrapassa rapidamente a amizade convencional. Carmilla envolve Laura fisicamente, aproxima o rosto do dela, murmura declarações intensas e associa amor, morte e possessão numa mesma linguagem. Em uma das passagens mais reveladoras, afirma que Laura morrerá “languidamente” nela e descreve a crueldade que exerce como uma forma de amor. Depois a abraça e a beija.
Esse é um dos pontos em que a novela permanece surpreendentemente viva.
O componente homoerótico não está escondido o bastante para ser acidental, embora Le Fanu trabalhe dentro dos limites morais e literários do século XIX. Desejo e repulsa convivem na percepção de Laura. Ela se sente atraída, constrangida, fascinada e inquieta. Em determinados momentos tenta escapar dos abraços de Carmilla, mas sente a própria resistência enfraquecer; o contato produz nela algo próximo de um transe.
Reduzir essa relação a “Carmilla seduz Laura” empobrece o texto. Existe sedução, evidentemente, mas existe também uma disputa sobre quem pode nomear aquilo que está acontecendo. Carmilla chama de amor. Laura não encontra vocabulário suficientemente claro para definir o que sente. Os homens que posteriormente investigam o fenômeno chamarão aquilo de doença, perversidade, possessão, vampirismo ou ameaça.
Entre uma definição e outra permanece o desejo.
A famosa descoberta do retrato intensifica essa ambiguidade. Uma pintura antiga restaurada revela uma mulher praticamente idêntica a Carmilla. A inscrição identifica a retratada como Mircalla, Condessa de Karnstein, datada de 1698. Laura fica maravilhada; Carmilla reage com sua habitual indiferença calculada e admite apenas uma remota ligação com a família.
A revelação não surpreende particularmente o leitor moderno. Mesmo quem nunca leu a novela provavelmente já sabe que Carmilla é a vampira. Le Fanu, felizmente, não depende desse segredo para sustentar a obra. A tensão nasce menos da pergunta “quem é o monstro?” e mais da questão “quando Laura compreenderá aquilo que o leitor já começou a perceber?”.
Essa diferença preserva o suspense.
O recurso narrativo funciona ainda melhor porque Laura conta os acontecimentos retrospectivamente. Conhecemos a história através de alguém que sobreviveu a ela, mas não saiu ilesa. Sua memória seleciona detalhes, retorna a sensações e observa situações passadas com um conhecimento que a Laura mais jovem ainda não possuía. O resultado é uma narrativa em primeira pessoa marcada por uma dupla consciência: a mulher que escreve sabe mais do que a jovem que vive os acontecimentos.
Há nisso uma qualidade quase traumática. Laura, além de simplesmente relatar uma aventura sobrenatural, reorganiza uma experiência cuja interpretação lhe foi negada enquanto acontecia.
A progressão da doença reforça essa leitura. Aos poucos, seu corpo começa a revelar aquilo que sua consciência ainda não consegue admitir. Surgem fraqueza, perturbações noturnas, sonhos e sintomas que conduzem o médico da família a uma suspeita alarmante. Ele recomenda que Laura não permaneça sozinha sequer por alguns instantes. A preocupação inicialmente parece exagerada, até que a narrativa de outra vítima demonstra que os mesmos sinais já haviam produzido um desfecho fatal.
É nesse momento que entra o general Spielsdorf.
Sua história funciona como espelho narrativo da experiência de Laura. Sua protegida Bertha conhecera uma jovem chamada Millarca em circunstâncias estranhamente semelhantes às da chegada de Carmilla. A bela desconhecida conquista rapidamente a confiança da família, instala-se na casa e, pouco depois, Bertha começa a definhar.
O paralelismo poderia ser excessivamente didático nas mãos de outro autor. Le Fanu o utiliza como mecanismo de confirmação. Aquilo que Laura vivenciava de maneira fragmentada adquire, através do relato do general, um padrão.
Spielsdorf, inicialmente cético, recebe de um médico uma explicação que considera absurda: sua protegida estaria sendo visitada por um vampiro, e as marcas próximas à garganta teriam sido produzidas por dois caninos. Desesperado, decide seguir as instruções recebidas e vigiar o quarto. Então presencia uma massa negra inclinada sobre a vítima. Quando a criatura assume forma humana, ele reconhece Millarca.
Bertha morre.
A partir daí, as identidades se encaixam como peças de uma heráldica macabra: Mircalla, Millarca, Carmilla. Não são nomes diferentes por acaso, mas anagramas determinados pela condição sobrenatural da vampira.
Esse artifício é simples, quase lúdico, e justamente por isso combina com a lógica de uma narrativa construída sobre identidades deslocadas. Carmilla muda de casa, época e vítima, mas carrega consigo as mesmas letras. Pode reorganizar o próprio nome; não pode escapar completamente dele.
O horror de Le Fanu também depende de uma tensão constante entre racionalidade e superstição. Médicos, militares e figuras paternas hesitam diante do sobrenatural porque aceitar vampiros seria absurdo. Evidentemente, numa novela chamada Carmilla, essa batalha intelectual está um pouco condenada desde o início. Ainda assim, o conflito interessa porque mostra pessoas educadas procurando explicações aceitáveis enquanto corpos continuam adoecendo.
A ironia é cruel: a incredulidade não protege ninguém.
Quando o túmulo de Mircalla finalmente é localizado e aberto, a narrativa abandona parte da sensualidade insinuada para entrar no horror físico. O cadáver permanece aparentemente vivo depois de aproximadamente cento e cinquenta anos: pele preservada, membros flexíveis, sinais vitais e o caixão cheio de sangue. A solução é brutalmente tradicional. Estaca no coração, decapitação, cremação e dispersão das cinzas.
Funciona como clímax, embora eu considere essa parte menos fascinante do que tudo aquilo que a antecede.
Quando Carmilla pode finalmente ser classificada, localizada e destruída, algo da sua potência desaparece. A criatura ambígua torna-se objeto de procedimento. O mistério é submetido a investigação, documentação e execução. Homens chegam, estudam mapas, consultam registros, encontram o corpo e resolvem o problema.
É eficiente narrativamente. Psicologicamente, porém, o que permanece não é a estaca.
É Laura.
No encerramento, mesmo depois de Carmilla ter sido destruída, sua presença continua surgindo na memória da narradora ora como a jovem bela e lânguida, ora como a criatura monstruosa. Essa incapacidade de estabilizar a lembrança talvez seja o verdadeiro final da história. Carmilla foi morta, mas Laura não consegue transformá-la inteiramente em monstro.
E nisso está uma das maiores virtudes de Le Fanu.
Carmilla é predadora. Não há necessidade de romantizar suas ações para reconhecer que o texto lhe concede algo que muitos monstros posteriores perderiam: intimidade. Ela deseja suas vítimas de modo particular. Observa, escolhe, aproxima-se, conquista confiança e prolonga a relação. Sua fome não é retratada apenas como necessidade biológica, porque assume um vocabulário amoroso.
O próprio texto explica posteriormente que certos vampiros desenvolvem por determinadas vítimas uma fascinação comparável à paixão e podem prolongar a aproximação como uma espécie de cortejo. A explicação é quase excessiva. O leitor já havia compreendido isso muito antes.
Laura, por sua vez, não é uma heroína de ação. Sua força está na interioridade. Ela sofre os acontecimentos antes de compreendê-los. Sua ingenuidade pode frustrar leitores acostumados a protagonistas que detectam um monstro em três páginas e pesquisam seus sintomas imediatamente, mas seria injusto exigir comportamento de personagem contemporânea numa jovem isolada do século XIX. Sua dificuldade de compreender Carmilla pertence ao coração do livro.
Há limitações.
A parte final concentra bastante exposição sobre regras do vampirismo, genealogias, documentos e procedimentos. Depois de uma primeira metade construída com sugestões e ambiguidades, explicar demais o fenômeno reduz ligeiramente a força do desconhecido. O Barão de Vordenburg cumpre sua função, mas entra tarde e possui algo do personagem concebido precisamente para carregar informações que o enredo agora precisa revelar.
Também existe uma assimetria evidente entre o desenvolvimento de Laura e Carmilla e o das figuras secundárias. Madame Perrodon, Mademoiselle De Lafontaine e o próprio pai de Laura possuem funções claras, porém permanecem relativamente simples. O foco psicológico está deliberadamente reservado às duas jovens.
Não considero isso um defeito grave. Esta não é uma novela interessada em oferecer profundidade igual a todos os habitantes do castelo. Seu centro é uma relação.
Quanto ao estilo, Le Fanu sabe transformar paisagem em presságio. Bosques, luar, ruínas, retratos, quartos, igrejas abandonadas e túmulos não existem somente para fornecer a indispensável mobília do gótico. O espaço reproduz o estado da narrativa: belo, antigo, aparentemente sereno e contaminado por algo enterrado.
Na tradução de José Roberto O’Shea, essa atmosfera permanece bastante legível, sem eliminar a cadência oitocentista. Há construções que denunciam a idade do original e outras que podem soar solenes ao leitor atual, mas isso raramente prejudica o andamento. Pelo contrário: a formalidade torna ainda mais perturbadores os momentos em que o erotismo ou a violência rompem a superfície civilizada.
É justamente por isso que Carmilla ainda funciona.
Seu vampiro não é aterrorizante porque possui dentes. Dentes são a parte simples. Carmilla assusta porque deseja entrar na intimidade da vítima e porque, em alguma medida inquietante, é desejada de volta.
A história fala sobre predador e presa, mas também sobre o quanto essa divisão pode se tornar emocionalmente confusa. Fala sobre sexualidade reprimida sem possuir a liberdade histórica para nomeá-la diretamente. Fala sobre a tentativa de transformar experiências incômodas em doença, superstição ou pecado. Fala sobre homens chegando tarde para explicar racionalmente algo que duas mulheres já viveram no corpo.
E fala, sobretudo, sobre memória.
Carmilla pode ser empalada, decapitada, queimada e reduzida a cinzas. Ainda assim, na última lembrança de Laura, ela continua caminhando.
Esse é o detalhe que me impede de considerar a obra apenas uma curiosidade histórica. Um monstro realmente eficiente não termina quando fechamos seu caixão.
Carmilla merece sua posição entre os textos fundamentais da literatura vampírica, mas seu valor não depende da certidão de nascimento do gênero. Le Fanu constrói uma narrativa curta, atmosférica e psicologicamente insinuante cuja maior força está na relação entre Laura e Carmilla. O erotismo contido, a oscilação entre atração e repulsa, o uso da memória traumática e a transformação progressiva do desejo em ameaça conferem à novela uma densidade que ultrapassa seu enredo sobrenatural.
A parte final, mais explicativa e procedural, perde um pouco da elegância ambígua dos capítulos anteriores. Prefiro Carmilla quando não sabemos exatamente onde termina a amante e começa o cadáver. Quando tudo recebe nome, genealogia e método de execução, a noite fica um pouco organizada demais.
Ainda assim, o encerramento recupera aquilo que importa: Mircalla é destruída; Carmilla permanece na memória.
Recomendo especialmente a obra a leitores de literatura gótica, horror psicológico, ficção vampírica e narrativas interessadas na relação entre desejo, repressão e monstruosidade. Quem procura apenas ataques, sangue e violência encontrará pouco disso durante boa parte da história. Quem aprecia o tipo de horror que primeiro acaricia o rosto e somente depois mostra os dentes provavelmente encontrará aqui algo muito mais duradouro.
As “quatro versões” que eu analisei não significam quatro histórias diferentes. Na verdade, colocam lado a lado quatro formas editoriais do mesmo texto de Sheridan Le Fanu, permitindo observar como Carmilla muda conforme língua, tradução, cortes e escolhas editoriais.
A primeira versão é o texto original em inglês, apresentado simplesmente como “Carmilla”. Ele funciona como referência para as demais. A obra foi publicada originalmente entre dezembro de 1871 e março de 1872 na revista The Dark Blue e, posteriormente, incorporada à coletânea In a Glass Darkly. Em minha análise, pude preservar o original ao lado das traduções, e isso foi particularmente útil porque me permitiu perceber como certas escolhas de vocabulário, sensualidade, formalidade e atmosfera foram transportadas para o português.
A segunda é “Carmilla: Morrer de Prazer”, tradução de Maria Lucia Machado, publicada pela Brasiliense em 1985. Esta é a versão mais diferente estruturalmente. Ela foi adaptada e reduzida, embora a edição original não informasse claramente ao leitor que havia sofrido cortes. A introdução do volume chama atenção para isso: o texto inglês possui dezesseis capítulos, enquanto essa versão foi condensada para doze, além de omitir os títulos dos capítulos.
Isso faz bastante diferença. Não estamos diante apenas de outra escolha de palavras para o mesmo conteúdo. Há uma intervenção editorial real. A narrativa fica mais enxuta e tende a avançar mais rapidamente, mas perde parte das nuances, das descrições e da construção gradual da atmosfera. Para uma leitura puramente narrativa, pode funcionar bem; para analisar Le Fanu em profundidade, é menos segura justamente porque não preserva todo o texto.
A terceira versão aparece como “Carmilla”, traduzida por Renata Lúcia Bottini e publicada em 2010 pela Berlendis & Vertecchia, dentro da antologia Caninos: Antologia do Vampiro Literário. É uma situação editorial bastante diferente: Carmilla aparece cercada por outros textos relacionados ao vampirismo, e não isoladamente como obra principal. Observei que essa versão possui elementos que faltam em outras traduções, inclusive o prefácio relacionado ao universo de In a Glass Darkly.
Essa moldura importa. Ler Carmilla dentro de uma antologia sobre vampiros tende a orientar antecipadamente a interpretação do leitor. O mistério sobre a natureza da personagem já nasce, por assim dizer, com a lápide devidamente identificada. É uma versão interessante principalmente porque preserva uma relação mais explícita entre a novela e sua tradição literária.
A quarta é “Carmilla: A Vampira de Karnstein”, tradução de José Roberto O’Shea, publicada pela Hedra em 2010. É justamente a versão que eu analisei para esta resenha. A edição da Hedra apresenta apenas a novela acompanhada de introdução e anuncia essa tradução como integral e comentada. Por isso ela é especialmente apropriada para uma leitura crítica: preserva a estrutura completa e oferece notas que ajudam a compreender referências históricas, literárias e culturais.
E existe ainda um detalhe importante que pode confundir: houve uma tradução brasileira anterior, publicada pela Bruguera em 1971, feita por Pedro Porto Carreiro Ramires.
Pontuação final: ★★★★☆ — 4 de 5 estrelas — Ótimo.