
Enterrei a menina ajoelhada,
Que aprendeu a sorrir obediente;
Deixei-lhe a voz na boca costurada,
Um lírio sobre o peito ainda quente.
Depois, a amante, cega e perfumada,
Que fez do próprio medo um confidente;
Fechei-lhe os olhos, já desfigurada,
E ouvi seu pranto respirar ausente.
Quando a última pá cobriu o escuro,
Vi meu reflexo apodrecer no muro,
E a terra fria entregou-me a prova.
Restou de pé a mulher proibida,
Feita das mortes que lhe deram vida:
Eu fui o corpo. Eu fui também a cova.
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