Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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O Edifício das Janelas Mortas

O prédio começou a chamar Mara três noites antes de ela decidir entrar.

Não usava voz.

Vozes são recursos humanos demais.

Chamava através dos sonhos...

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Na primeira noite, Mara sonhou com um corredor estreito, coberto por azulejos amarelados e infiltrações que desenhavam mapas nas paredes. Havia uma porta ao fundo. Sobre ela, uma pequena placa metálica:

13.

 

Na segunda noite, encontrou a mesma porta aberta.

Não atravessou.

Do outro lado havia apenas escuridão.

Na terceira, alguém estava esperando dentro dela.

Mara acordou antes de reconhecer o rosto.

 

Às quatro e dezessete da manhã, ainda sentada na cama, recebeu uma mensagem de Davi.

Uma fotografia.

O Condomínio de Pinheiros, construído sobre o antigo Sanatório de Pinheiros.

No centro da construção, onze andares de concreto apodrecendo em uma área isolada próxima ao centro do Rio de Janeiro, encaixados entre construções mais novas como um cadáver esquecido entre pessoas que fingiam não sentir o cheiro.

Abaixo da imagem, Davi escrevera apenas:

Encontramos a entrada.

 

Mara ficou olhando para a tela durante algum tempo.

Depois ampliou a fotografia.

Na fachada escura, todas as janelas estavam fechadas com placas de madeira ou blocos de concreto.

Todas, exceto uma.

No último andar havia uma mulher atrás do vidro.

Mara aproximou ainda mais.

A imagem pixelou.

Mesmo assim, reconheceu o próprio rosto.


 

A prefeitura interditara o Condomínio de Pinheiros trinta e nove anos antes.

O laudo público mencionava comprometimento estrutural, infiltrações, ferragens expostas e risco de desabamento.

O documento secreto da Ordo Umbrae dizia outra coisa.

FENDA TIPO IV.

INSTABILIDADE ESPACIAL.

CONTAMINAÇÃO MNEMÔNICA.

ACESSO PROIBIDO.

 

Depois vinha uma anotação manuscrita:

Não existe assombração no edifício.

A frase seguinte havia sido riscada.

Davi conseguira reconstruí-la utilizando luz ultravioleta.

O edifício é a assombração.

Era por isso que os Cães Fantasmas estavam interessados.

A Ordo Umbrae construíra sua existência sobre portas fechadas. Os Cães haviam desenvolvido uma filosofia bem mais simples.

Portas existem para descobrir o que alguém está desesperado para esconder atrás delas.

Uma atitude admiravelmente humana.

A curiosidade é apenas o suicídio quando aprende a ler.


 

Mara encontrou Davi, Joel e Lia diante do prédio pouco depois da meia-noite.

Nenhum deles falou sobre a fotografia.

O Condomínio de Pinheiros ocupava quase metade do quarteirão. A fachada outrora branca estava cinza, comida por décadas de chuva e fuligem. Raízes desciam da cobertura. Plantas cresciam nas rachaduras como dedos verdes tentando sair de uma sepultura.

Uma placa enferrujada da prefeitura permanecia presa ao portão.

IMÓVEL INTERDITADO.

Abaixo, alguém escrevera com tinta preta:

ENTÃO POR QUE TEM GENTE MORANDO AÍ?

Joel apontou a câmera.

— Isso é recente.

 

Davi tocou a tinta.

— Não.

 

O preto parecia fresco.

Mas ao esfregar os dedos, parte da parede desmanchou.

A frase estava enterrada sob pelo menos quatro camadas de pintura.

Lia observou as janelas.

— Tem alguém olhando.

 

Ninguém perguntou onde.

Provavelmente porque todos sentiram.

Mara segurou o pingente de ferro preso ao pescoço.

— Entramos, encontramos a Fenda Treze, registramos e saímos. Nada de exploração paralela.

 

Joel sorriu.

— Você está dizendo isso para os Cães Fantasmas.

— Estou dizendo para quatro pessoas que pretendem continuar respirando amanhã.

 

Davi soltou um riso baixo.

— Ambiciosa.

 

Cortaram as correntes.

O cadeado caiu.

A porta abriu antes que alguém tocasse nela.


 

O primeiro cheiro foi de água parada.

O segundo, de flores.

Não flores mortas.

Flores frescas.

Mara ergueu a lanterna.

O saguão estava intacto demais.

Havia uma recepção de mármore, poltronas cobertas por lençóis cinzentos e caixas de correspondência alinhadas na parede.

Joel aproximou a câmera de uma delas.

Apartamento 704.

Uma carta permanecia dentro.

Ele puxou o envelope.

— Não mexa — disse Mara.

 

Tarde.

Joel virou o papel.

Seu nome estava escrito no destinatário.

JOEL FERREIRA RAMOS

 

Ele parou de sorrir.

— Isso não tem graça.

 

Mara pegou o envelope.

Não havia remetente.

Abriu.

Dentro, apenas uma fotografia.

Os quatro estavam diante do edifício.

Era a mesma posição de poucos minutos antes.

Exceto por uma coisa.

Na fotografia, havia apenas três pessoas.

Joel não estava.

Ele rasgou a imagem ao meio.

— Vamos subir.

 

Ninguém discordou.


 

O elevador ainda existia.

Portas cromadas, manchadas pela ferrugem.

Mara apertou o botão apenas para confirmar que estava morto.

Uma campainha tocou.

As portas se abriram.

Lia recuou.

— Não há energia.

 

A cabine estava iluminada.

O painel mostrava os onze andares.

Depois:

12. 

13.

−1.

−2.

E uma última opção.

VÉU.

 

Joel apontou a câmera para ela.

— Isso não estava na planta.

— Nada daqui está na planta — respondeu Davi.

 

Mara encarou a palavra.

Sentiu o sonho voltar como gosto de metal na língua.

— Escadas.

 

Ninguém discutiu.

Desta vez.


 

No terceiro andar começaram os ruídos.

Passos.

Sempre um lance acima.

Quando eles subiam, os passos subiam também.

Quando paravam, paravam.

Joel gritou:

— Tem alguém aí?

 

Uma voz respondeu do andar superior.

— Tem alguém aí?

 

A voz era a dele.

Davi segurou o braço de Joel antes que ele avançasse.

— Não responda mais.

 

Continuaram.

No quinto andar encontraram a primeira porta aberta.

Apartamento 503.

Lia ficou imóvel diante dela.

— Minha mãe morava aqui.

 

Mara olhou para ela.

— Sua mãe morava em Niterói.

— Eu sei.

 

Do interior veio o som de pratos.

Depois uma mulher cantarolando.

Lia começou a chorar.

— Ela fazia isso quando cozinhava.

 

Mara fechou a porta.

A música cessou.

— Não é sua mãe.

 

Lia passou as mãos pelo rosto.

— Eu sei.

 

Mas continuou olhando para a madeira.

Do outro lado, uma mulher bateu três vezes.

— Lia?

 

Ela estremeceu.

— Filha?

 

Davi puxou Lia escada acima.

A voz começou a bater na porta.

Primeiro devagar.

Depois com violência.

— LIA!

 

A porta sacudiu.

— VOLTA AQUI!

 

O último grito não parecia humano.


 

No sétimo andar, encontraram as paredes cobertas de desenhos.

Carvão.

Centenas deles.

A mesma mulher.

Cabelos negros.

Olhos escuros.

Vestido comprido.

Algumas imagens eram rudimentares.

Outras tinham precisão quase fotográfica.

Nyxara...!

 

Davi aproximou-se.

— Ela esteve aqui.

 

Mara passou a lanterna pelas figuras.

— Ou alguém queria que acreditássemos nisso.

 

No centro da parede havia uma frase.

NÃO PROCUREM A PORTA.

Mais abaixo:

O PRÉDIO É A PORTA.

Joel filmava.

Então encontrou uma terceira inscrição quase apagada perto do chão.

— Tem mais.

 

Mara se ajoelhou.

As palavras haviam sido arranhadas no reboco com alguma coisa pontiaguda.

Possivelmente unhas.

E TODA PORTA PRECISA DE ALGUÉM PARA FICAR ABERTA.

 

O corredor escureceu.

A lanterna de Lia morreu.

Depois a de Joel.

Depois a de Davi.

Restou apenas a de Mara.

A luz começou a enfraquecer.

No fim do corredor havia alguém.

Joel.

Mara virou-se.

Joel estava atrás dela.

Olhou novamente para a figura.

Continuava lá.

O outro Joel ergueu a mão.

O verdadeiro fez o mesmo involuntariamente.

Davi percebeu.

— Não se mexa.

 

A cópia sorriu.

Joel também.

— Eu não estou fazendo isso — sussurrou.

 

A coisa no fim do corredor virou a cabeça.

O pescoço inclinou-se além do limite possível.

Joel gritou.

A luz apagou.

Algo correu.

Quando a lanterna voltou, Joel havia desaparecido.

A câmera estava no chão.

Ainda gravando.

Mara pegou-a.

Na pequena tela, viu a imagem registrada durante a escuridão.

Davi, Lia e ela mesma estavam imóveis.

Atrás deles, dezenas de pessoas ocupavam o corredor.

Homens.

Mulheres.

Crianças.

Algumas com roupas de décadas passadas.

Outras vestindo roupas que Mara nunca tinha visto.

Todas olhando para a câmera.

No centro estava Joel.

Sorrindo.


 

No décimo andar Lia começou a ouvir novamente a mãe.

Desta vez dentro das paredes.

— Filha...

 

Ela tapou os ouvidos.

— Filha...

 

Davi segurou-a.

— Não escuta.

— Ela está com medo.

— Não é ela.

 

Lia olhou para Mara.

Os olhos estavam desesperados.

— E se for?

 

Essa era a pergunta que lugares como aquele esperavam.

O medo abre poucas portas.

A esperança abre todas.

Lia correu.

A parede diante dela abriu-se como uma cortina.

Não houve rachadura.

Não houve porta.

A superfície simplesmente se separou.

Do outro lado havia uma cozinha iluminada pelo sol.

Uma mulher idosa preparava café.

Lia entrou.

— Mãe?

 

A mulher virou-se.

Sorriu.

A parede fechou.

Mara correu e bateu contra o concreto.

— LIA!

 

Silêncio.

Depois um gemido.

Veio de dentro da parede.

Baixo.

Molhado.

Durou quase um minuto.

Então cessou.

Davi encostou a testa no reboco.

— Vamos embora.

 

Mara observou a escada.

A placa indicava:

11º ANDAR

Subiram.

Chegaram ao mesmo lugar.

11º ANDAR

Desceram.

11º ANDAR

Outra escada surgiu onde não havia nada.

Subindo.

No alto:

13º ANDAR

Davi riu.

Não havia humor naquele som.

— Parece que ele cansou de fingir.


 

O décimo terceiro andar era silencioso.

Não havia apartamentos.

Havia arquivos.

Estantes de metal desapareciam na escuridão.

Milhares de caixas ocupavam o salão.

Documentos da Ordo Umbrae.

Mara abriu a primeira.

Desaparecimentos.

246. 

247.

248. 

249.

Pessoas que haviam entrado no Condomínio de Pinheiros.

Na segunda caixa estavam fotografias das janelas.

Rostos observando a rua.

Mara reconheceu alguns deles.

Eram as pessoas da gravação de Joel.

Davi abriu outra caixa.

Ficou pálido.

— Mara.

 

Dentro havia um relatório datado daquele dia.

O nome dos quatro.

Horário de entrada.

Eventos registrados.

Joel: desaparecimento no sétimo andar.

Lia: assimilação estrutural no décimo primeiro.

Davi virou a página.

DAVI SERPA: MORTE NO DÉCIMO TERCEIRO ANDAR.

 

Ele ficou parado.

Então algo atrás dele respirou.

Mara viu primeiro.

Um corpo emergia lentamente da parede.

Não atravessava o concreto.

Era produzido por ele.

Primeiro dedos.

Depois braços.

Peito.

Cabeça.

O rosto era de Davi.

O verdadeiro tentou correr.

A cópia agarrou-o.

Os dois caíram.

Mara ouviu ossos.

Depois gritos.

Depois apenas um deles se levantou.

— Mara.

 

Ela recuou.

— Qual deles é você?

 

Ele sorriu.

— Isso ainda importa?

 

Mara correu.


 

Encontrou uma sala no fundo do arquivo.

Uma mesa.

Uma cadeira.

E uma janela.

Sobre a mesa repousava um único caderno.

Na capa:

MARA ALVARENGA.

 

Ela abriu.

Sua infância.

Seus estudos.

Sua entrada nos Cães Fantasmas.

Sonhos que jamais contara.

Pensamentos que nunca escrevera.

Virou as páginas rapidamente.

Chegou àquela noite.

A última frase dizia:

Mara finalmente compreendeu por que o prédio a chamava.

 

A página seguinte estava em branco.

Atrás dela, Davi aproximava-se.

Ou aquilo que usava Davi.

Mara fechou o caderno.

Foi então que percebeu.

Os documentos.

As fotografias.

Os relatos.

As lendas.

Tudo alimentava aquilo.

O Condomínio de Pinheiros não devorava corpos.

Devastava identidades.

Transformava memória em espaço.

Cada pessoa absorvida tornava-se parte da arquitetura.

Um quarto.

Um corredor.

Uma janela.

Uma voz atrás da parede.

A assombração não vivia dentro do prédio.

Era feita das pessoas que tentavam compreendê-lo.

Mara olhou para a janela.

A rua estava lá embaixo.

Treze andares.

Abriu.

O vento entrou.

 

Davi surgiu na porta.

— Não faça isso.

 

Ela sorriu.

— Você não é Davi.

 

A coisa inclinou a cabeça.

— Talvez Davi nunca tenha sido Davi aqui.

 

Mara pulou.


 

Não caiu.

Acordou na calçada.

Era manhã.

Pessoas passavam.

Carros.

Ônibus.

Buzinas.

O Rio continuava funcionando com a indiferença monumental das cidades diante das tragédias particulares.

Mara começou a rir.

Tinha escapado.

Olhou para trás.

O Condomínio permanecia interditado.

Onze andares.

Nenhuma luz.

Nenhuma janela aberta.

Caminhou até uma banca de jornal.

Pegou um periódico.

A data fez seu sangue gelar.

17 de agosto de 1987.

 

Quase quarenta anos antes.

Mara deixou o jornal cair.

Na primeira página havia uma pequena chamada:

PREFEITURA INTERDITA EDIFÍCIO APÓS NOVOS DESAPARECIMENTOS.

 

Abaixo, uma fotografia.

O Condomínio de Pinheiros.

Na janela do último andar havia uma mulher.

Mara.

Ela ergueu os olhos.

Uma multidão começava a se reunir diante do prédio.

Alguém apontou.

— Olha!

 

Mara tentou falar.

Ninguém a escutou.

Um homem fotografou o edifício.

— Tem uma mulher na janela!

 

Mara olhou para as próprias mãos.

Havia vidro diante delas.

Não estava na calçada.

Nunca estivera.

Estava atrás da janela.

Treze andares acima.

Do lado de fora, pessoas apontavam para ela.

Mara bateu no vidro.

Gritou.

Ninguém ouviu.

Então viu quatro pessoas aproximando-se do portão.

Davi.

Joel.

Lia.

E ela mesma.

Usavam roupas diferentes.

Mais modernas.

A mesma noite começava outra vez.

Mara recuou.

Atrás dela não havia quarto.

Havia um corredor.

Azulejos amarelados.

Infiltrações desenhando mapas nas paredes.

No fundo, uma porta.

Sobre ela:

13.

 

A porta abriu.

Nyxara estava esperando.

Ou algo que aprendera a parecer com ela.

Mara quis perguntar o que aquilo significava.

Mas a figura levou um dedo aos lábios.

Silêncio.

Então sorriu.

Na parede ao lado, uma nova frase começou a surgir sozinha, desenhada lentamente por uma substância escura que parecia sangue envelhecido:

A PREFEITURA NUNCA TRANCOU O PRÉDIO PARA IMPEDIR QUE ALGUÉM ENTRASSE.

 

Mara sentiu alguma coisa respirar atrás dela.

A segunda frase apareceu.

TRANCOU PARA IMPEDIR QUE ELE SAÍSSE.

 

Do outro lado da janela, milhares de pessoas caminhavam pelas ruas do Rio.

Mara observou melhor.

Algumas não produziam reflexo nas vitrines.

Outras repetiam os mesmos movimentos em intervalos perfeitos.

Um ônibus passou três vezes pela mesma esquina.

O mesmo cachorro latiu.

O mesmo homem deixou cair o mesmo jornal.

De novo.

De novo.

De novo...

 

A compreensão chegou devagar.

E foi pior justamente por isso.

Mara aproximou-se do vidro.

O Condomínio de Pinheiros não estava no Rio de Janeiro.

Nunca estivera.

O Rio de Janeiro estava dentro dele.

A cidade inteira.

Talvez havia décadas.

Talvez séculos.

Talvez desde sempre.

Onze andares eram apenas o que o mundo conseguia enxergar do lado de fora.

O resto continuava crescendo para dentro.

Ruas.

Casas.

Hospitais.

Cemitérios.

Pessoas nascendo, envelhecendo, amando e morrendo sem jamais perceber que viviam dentro de alguma coisa.

Mara começou a chorar.

Nyxara aproximou-se por trás.

 

Sua voz surgiu baixa, quase terna:

— Agora você entende por que eles chamavam de Véu.

 

Mara fechou os olhos.

— O que existe do outro lado?

 

Nyxara sorriu.

Uma expressão sem misericórdia.

— O lado de fora.

 

E todas as luzes da cidade se apagaram ao mesmo tempo.

 


Este conto é uma criação original da autora Luna Bela Morte e pertence ao universo paralelo da saga Ordo Umbrae, revelando segredos que se ocultam nas margens da história principal. Saiba mais em: aprendizdastrevas.com/ordoumbrae

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Autora: Luna Bela Morte

Instagram e TikTok: @lunabmorte

Site Oficial da Autora: aprendizdastrevas.com

Luna Bela Morte atualmente é autora de três livros: “O Beijo e a Maldição” (Prosa Literária), “Poesia para ser lida no cemitério” (Poesia Gótica), e “Retrato Falado” (Prosa e Poesia); além do e-book: “O Aprendiz das Trevas”. Em seu site divulga suas obras, seus textos e seu evento literário anual de Halloween.

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Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 11/08/2026
Alterado em 11/08/2026
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