
Na pedra fria o amor em chama arde,
Dois vultos se entrelaçam na neblina,
No túmulo, o desejo se reparte,
E a carne exulta em febre clandestina.
Os lábios roçam cruzes ancestrais,
E o vinho escorre em beijos proibidos,
Na noite escura os gemidos mortais
Misturam-se a suspiros contidos.
Os anjos choram mármore e pecado,
Enquanto as mãos se buscam, delirantes,
No cemitério o corpo é celebrado.
E quando a lua espia, vigilante,
O gozo ergue-se em verso consagrado:
Prazer eterno em amantes errantes.