
O lobo me guiou até uma casa antiga,
sem cruz, sem luz, sem nome na fachada;
A madeira respirava apodrecida,
como uma carne há séculos fechada.
Empurrei a porta. A treva era viva.
Havia uma criança imóvel na escada,
com olhos fundos e a garganta partida,
sorrindo como quem foi assassinada.
— Não olhes muito tempo — o lobo avisou —
E meu nome, em sua voz, se deformou.
Era tarde demais: ela ergueu a cabeça.
Então a vi rastejar sem mover os pés,
e atrás dela havia outras. Talvez dez,
em trevas, me engolindo em lenta pressa…