
Encontrei um espelho onde a luz morria,
enterrado no fundo de uma igreja em ruína;
Ali, minha imagem não me pertencia;
Era outra coisa, mais funda, mais ferina.
A pele se movia como carne tardia,
e um rosto por baixo pulsava, em disciplina;
Cada traço negava o que me traduzia,
como estranha mentira que se assassina.
— Olha sem recuar — ordenou o guia —
Senti meus olhos sangrarem na liturgia.
E o vidro se abriu como boca divina.
Então o reflexo sorriu… não fui eu.
E sussurrou: “eu sou o que em ti nasceu.”
E em seu gesto havia uma fome assassina!