
Nos becos, a verdade é uma neblina
que esconde cadáveres e fracassos.
Como um corpo exausto implorando ruína,
a cidade abre seus ossos sob meus passos.
Um monstro que mente e nos assassina
lentamente, em pactos sempre escassos.
Em cada olhar carrega uma sina:
Rostos sorrindo em gestos nefastos.
— Eis o mundo — rosnou — que te criaram:
Os vivos, de tão mortos, se tornaram
um teatro onde a dor veste elegãncia.
Toquei uma face (era fria ausência).
Soaram como o início da consciência,
E os gritos... feridas em ressonância.