
Aprende cedo a arte de calar,
a sorrir baixo ao gesto que intimida;
ensinam: “ser mulher é suportar”,
e a dor se torna regra repetida.
Costura o medo ao modo de agradar,
serve em silêncio a mesa da ferida;
faz do próprio corpo um lugar
onde a vontade alheia é permitida.
Chamam virtude a antiga obediência,
herança fria em forma de sentença
que pesa como ferro na oração.
Mas no retrato falado da alma,
há grito preso sob aparência calma:
submissão também é violação.