
Chamaram zelo o cárcere velado,
ciúme ardendo em tom devocional;
no gesto duro, o toque parecia
um juramento antigo e conjugal.
Diziam: “é amor”, no rito envenenado,
que veste posse em véu sentimental;
proteção feita de aço enferrujado,
prisão erguida em nome do ideal.
Assim se aprende o afeto acorrentado,
onde o domínio soa apaixonado
e o medo veste o riso habitual.
Mas sob a noite rompe o juramento:
amor que exige sangue e sofrimento
não passa de um inferno conjugal.