
Nas paredes finas lateja o segredo,
um grito rompe a noite como aço;
A dor respira em ritmo de degredo.
No quarto escuro, o punho faz seu laço.
A casa inteira conhece o enredo,
cada janela escuta o mesmo passo;
Veste a omissão como um enredo.
Fecha os olhos, temendo o próprio espaço.
Testemunhas do horror domesticado,
ouvem o pranto mudo e prolongado
como se fosse vento no portão.
Assim o mal se torna cotidiano:
o terror dorme ao lado, soberano,
e o silêncio assina a absolvição.