
Nos dias de hoje o amor é mercado,
vende promessas em leilão vulgar;
beijos têm preço, desejo é contrato,
e a alma aprende depressa a penhorar.
Sob luz neon, jura-se pecado,
traições deslizam fáceis pelo ar;
cada mentira vem bem maquiada,
feito golpe fino pronto a executar.
Há mãos que afagam só para dominar,
vozes que chamam apenas para humilhar;
no jogo sujo, quem ama vira réu.
E no retrato falado do presente
o coração aparece inconsequente,
culpado por ainda acreditar no céu.