
Na praça fria cola-se o meu rosto,
carvão e culpa em traços de carvão.
Chamam meu nome em coro de acusação,
como se o medo tivesse um gosto.
Dizem que a noite ouviu meu desgosto,
que a faca respondeu à opressão.
Vizinhos guardam gritos na mão,
juram ter visto o fim do que era imposto.
Perseguem Luna pelas ruas tortas,
cada janela vira um olho atento.
O passado bate em portas já mortas.
No papel, meu retrato é tormento,
mas a verdade sangra em linhas tortas:
fui caça antes de virar evento.