
Meu corpo boia em silêncio sepulcral,
a lua desfila em prata pela piscina,
toca a superfície como um véu fatal;
Rainha exausta de uma noite assassina.
Cada gole arde num prazer letal,
no vidro rubro a escuridão se afina,
vinho que pulsa com fervor infernal;
Um pacto antigo que jamais termina.
Reflete a água meu semblante imerso,
um vulto pálido, um rito submerso
que a própria noite insiste em reclamar.
E quando o vento, ciumento, me vigia,
erguo a taça à lua e à melancolia,
brindando à Sombra que me ensinou a amar.

Venham, almas curiosas...
As portas do meu domínio estão entreabertas, e a névoa já conhece o caminho.
Entrem em minha página; lá onde as histórias sussurram, o medo respira e a escuridão é bela.
Assinem com sangue o convite da noite.