
É noite. E meu pulso, enfim, desperta.
Ergue-se a dor em pétalas febris.
A alma em chamas ruge, tão incerta,
buscando ecos em abismos sutis.
A escuridão, que em mim se derrama,
veste meu corpo em seu clichê mortal;
no peito arde uma intensa e bruta chama
que rompe a carne em êxtase fatal.
É quando o vento rasga o véu do medo
que encontro a mim, sem fuga e sem degredo,
descoberta viva em súplica cruel.
Acordo soturna, e insisto em minha sorte:
se o mundo treme ante a beleza da morte,
eu me ergo eterna, em pranto vivo e fiel.

Venham, almas curiosas...
As portas do meu domínio estão entreabertas, e a névoa já conhece o caminho.
Entrem em minha página; lá onde as histórias sussurram, o medo respira e a escuridão é bela.
Assinem com sangue o convite da noite.