
Caminho entre lápides, véus e neblina,
a lua, espectral, me fita, sombria;
o vento delira em canção assassina,
nas sombras que tremem em mórbida orgia.
Os mortos sussurram segredos sombrios,
as flores exalam seu fétido enredo;
no ar, ouço passos... distantes, vazios.
São filhos da terra, erguidos do medo.
Toco um túmulo e o frio me consome,
um vulto desperta e murmura meu nome;
seu toque é suave, mas fere, e me guia.
E eu rio, perdida, no abraço final,
pois só entre mortos encontro o real;
sou viva demais para a luz do dia.

Venham, almas curiosas...
As portas do meu domínio estão entreabertas, e a névoa já conhece o caminho.
Entrem em minha página; lá onde as histórias sussurram, o medo respira e a escuridão é bela.
Assinem com sangue o convite da noite.