
No salão onde a noite se derrama,
velas tremem ao sopro do pecado,
cada chama que me beija, inflama,
e o ar murmura um nome profanado...
Entre negras cortinas, o drama
reflete em espelhos o ser velado,
meu corpo é verso, e o verso reclama
o prazer de existir no condenado.
Do sangue surge o rubro em cada flor,
sou tentação vestida em oração;
um anjo exilado em seu fulgor.
Quem me contempla sente a perdição,
pois meu olhar mistura dor e amor:
sou luz que arde, e sombra em devoção.

Venham, almas curiosas...
As portas do meu domínio estão entreabertas, e a névoa já conhece o caminho.
Entrem em minha página; lá onde as histórias sussurram, o medo respira e a escuridão é bela.
Assinem com sangue o convite da noite.