
Nas trevas onde o medo adormecido
tece uma teia em fria calmaria,
o espírito se perde, corrompido,
na febre surda, em melancolia.
Do breu profundo ergue-se o gemido,
a carne treme em mórbida agonia,
um vulto ri; teu rosto refletido
no espelho turvo da insanidade fria.
O ar cheira a velas, cera e pranto,
E em ti, o horror se faz encanto,
O sonho vira um túmulo que chama.
Os olhos veem o que não tem corpo e alma,
pois todo pesadelo tem sua calma:
a morte é o sono; e o sono inflama.

Venham, almas curiosas...
As portas do meu domínio estão entreabertas, e a névoa já conhece o caminho.
Entrem em minha página; lá onde as histórias sussurram, o medo respira e a escuridão é bela.
Assinem com sangue o convite da noite.