
Na noite fria, a lâmina reluz,
Um vulto me segue, faminto e voraz.
O sangue arde, meu corpo se seduz,
Na dança da morte, sou presa e sou paz.
Seus passos ecoam, tremor que me invade,
Um beijo de medo me beija a espinha.
No fio da faca há mórbida verdade:
Quem caça, se perde; quem foge, se alinha.
Sinto o calor do seu hálito insano,
A dor me encanta, é deleite profano,
Um vício que arde em carne febril.
Que me persiga, em garras de pecado!
E que me mate! Mas mate no fado:
De ser sua presa, prazer tão sutil...