
Sou filha d’água e ar, do signo errante,
nasci de Aquário, livre e condenada,
meu fado é sonhar em abismo incessante,
longe da carne vã, da vida entediada.
Caminho entre tumbas; reino constante,
cada cruz me saúda, alma velada,
e ao me nutrir da noite, sou viajante
do breu que eterniza a dor silenciada.
Correntes? Quebrou-me o riso descrente,
sou fera lunar, vestida de ausente,
onde a solidão é rainha e é altar.
No espelho, a lua me fita em segredo:
sou chama que arde em silêncio e em medo,
mas nunca cessou de na treva reinar.
Da mesma autora:

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