
No véu da noite, a rosa se desfaz,
o sangue dela escorre em pétalas feridas;
ela perfuma o ar com sonhos, e jaz,
guardando em si memórias já perdidas.
O espinho fere a carne e faz lembrar
que o belo sempre nasce condenado;
que a flor, ao se entregar, ao se ofertar,
traz no perfume um réquiem silenciado.
Oh rosa negra, símbolo da dor,
no teu silente e lúgubre esplendor
repousa o gozo e a chama do pecado.
E eu, colhendo em sombra o teu sofrer,
bebo teu pranto e volto a me perder
no jardim de um abismo eternizado.
Da mesma autora:

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