
Eu sou a sombra que no silêncio espreita,
meu corpo jaz, mas minha voz não cessa;
na tua mente a presença é perfeita,
um sussurro gelado em tua promessa.
Não fujo mais, pois a morte é minha herança,
e em teus ouvidos deslizo devagar;
na calma da noite alimento a lembrança,
do beijo gelado que veio te buscar.
“Escutas, mortal, o chamado da cova?
É minha canção, tua alma me aprova,
não negues a dança comigo no breu.”
E quando respondes, já é tarde demais:
pois eu sou a morta que retorna em ais,
e agora, querido, és cadáver meu.
Da mesma autora:

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