
No véu da noite a lua em sangue arde,
a música envolve em febre o salão;
os corpos dançam, a chama se reparte,
ninguém distingue prazer de perdição.
Entre sorrisos de corte mascarada,
há vinho e sangue no cálice febril;
na chama rubra a vida é devorada,
em cada gesto um convite sutil.
Quem é humano? Quem traz a eternidade?
No fogo erguido a verdade se desfaz;
na pele o toque é morte e é vontade.
E quando a lua ruge em céu carmesim,
descobre o homem, tarde, em êxtase audaz:
dançava morto… e a morte dançava em mim.

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