
É meia-noite na minh’alma ferida,
o céu desaba em lágrimas de açoite;
na chuva encontro a redenção da vida,
um rito sagrado no véu desta noite.
O sangue escorre, rubro em agonia,
das chagas abertas, liberto-me enfim;
a água e o pranto se fundem, e guia
meu corpo cansado ao delírio sem fim.
Sinto-me livre; o fardo se desfaz,
cada gota apaga tormento e dor;
um batismo negro em que o medo jaz.
Vem, dança comigo no orvalho fatal,
na chuva da meia-noite, o amor,
lava-se a carne... e a alma imortal.

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