
Na chama que arde, o tempo se consome,
um fio de luz na treva se derrama;
ali se dissolve o peso do nome,
ali se eterniza a fúria da chama.
A cera que escorre é sangue votivo,
a vela suspira segredos da morte;
no fogo contemplo o abismo cativo,
no fogo vislumbro o reflexo da sorte.
Não há madrugada que possa apagar
o facho imortal que insiste em brilhar;
na sombra, a centelha jamais se desfaz.
E eu, guardiã desse lume profano,
acendo na noite o clarão soberano:
a vela da eternidade, em paz.

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