
Eu sou da noite, e nela me alimento,
meu véu de trevas cobre o mundo em cio;
trago nos lábios o rubro do tormento,
na pele, o frio do túmulo vazio.
Sou sombra e rastro em passo tão silente,
sou febre escura em dança devorante;
um sopro etéreo, um toque incandescente,
um beijo eterno, abismo delirante.
A lua é minha irmã, fiel amante,
no sangue encontro o vinho que me guia;
na carne frágil, o prazer constante.
E quando a aurora ousar nascer ao fim,
verás que a noite é só melancolia,
e que ela habita para sempre em mim.

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