
Na penumbra gentil, a noite nos abriga,
um véu de trevas cobre o nosso chão,
no compasso febril que o silêncio instiga,
bailamos na sombra em doce perdição.
O vinho tinto arde em nossas bocas,
rubra oferenda em cálice profano,
nossas almas, rendidas e tão loucas,
sussurram segredos num êxtase arcano.
A lua vigia em pálido lamento,
teus olhos cintilam como estrelas mortas,
teu toque é feitiço, meu doce tormento,
Na dança sombria, as trevas são nossas.
Amamos a noite, eterna, infinita,
somos um do outro; em sombra bendita.