Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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Laracna vela, pálida, sobre o muro frio,

Seus olhos bordam vazios a noite em pranto,

Tece em dedos de sombra um lento desafio,

E a lua, cúmplice, veta todo o encanto.

 

No ventre da teia, um rumor de infância arde,

Memórias maternas enrolam-se em fios de fome;

Cada passo humano é presilha que não tarde,

Cada braço que passa vira verbo de um nome.

 

O medo cresce... é mãe que morde e que devora,

Cresce em veias de seda, incha em sala escura;

A psique treme, e do fundo a imagem aflora:

 

Laracna sussurra o segredo da cintura:

Que o mundo é amálgama onde a infância chora,

E que o toque materno pode ser lei e tortura.

 

—

 

NOTA: Este poema fala sobre a simbologia aracnídea e a leitura freudiana em relação à lenda: Freud associa aranhas a imagens maternas e conflitos psicosexuais; outros autores veem a aranha como arquétipo do “self sombra” e símbolo de tecelagem do destino.

Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 11/09/2025
Alterado em 11/09/2025
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