
“Atrás do muro, em fria solidão,
Vejo os viventes rindo em claridade,
Enquanto em mim só resta a saudade,
De um peito morto e sem pulsação.
No pó do túmulo, escuto a canção,
De vozes quentes, cheias de vaidade,
E a inveja cresce, virando maldade,
Na carne podre, explode a perdição.
As unhas rasgam pedra, em agonia,
O muro cai, a noite se estremece,
O grito surge, puro e vil mania.
Salto na rua, o sangue me aquece,
Primeira presa; a dor, a sinfonia,
E a vida alheia em minha boca perece!”