
Minha alma é lâmina, rasgada em dor,
Fatiada em sombras de febril tormento;
Um eco perdido, um mudo clamor,
Que sangra em silêncio no vento lento.
Busco consolo na noite sem cor,
Na praia onde o mar devora o momento;
Cada onda é mágoa, cada lua é ardor,
Que beija meu pranto em suave alento.
Sozinha caminho, descalça e ferida,
As ondas lavando meu luto sem fim,
A noite acolhe minha dor partida,
E o luar sussurra segredos em mim.
Entre o abismo e a bruma erguida,
Só a escuridão me chama de “sim”.