
Na névoa fria o vulto se levanta,
leve, sem peso, errante na campina;
o cemitério em sombras se agiganta,
a lua o cobre em veste cristalina.
Sua tristeza em cantos se decanta,
em sopros leves, como a brisa fina;
é dor antiga, mas tão bela e santa,
que até a pedra chora e se ilumina.
Não busca vingança, apenas lembrança,
do breve toque de uma dor traiçoeira,
perdido outrora, mas guardado em fé.
E assim caminha, eterna esperança,
a alma penada, doce mensageira,
que ao mundo ensina o que o amor é.