Cemitério
Entre cruzes gastas, jaz meu caminhar,
o vento murmura segredos de luto;
nas lápides frias me ponho a escutar
o riso da morte, tão manso e astuto.
As flores murchadas exalam perfume,
um incenso pálido, doce e funéreo;
a lua, cúmplice, acende o negrume,
velando silente o campo etéreo.
Aqui repousa o desejo profundo,
os ossos dançam ao som do silêncio;
a carne é cinza, mas brilha o outro mundo.
Sou sacerdotisa do sono final,
no cemitério, templo abissal,
onde o amor se deita em leito imortal.
Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 28/08/2025
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