Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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Luna Bela Morte
Nos salões noturnos vagueio sem dono,
com olhos que brilham em sede e pecado;
meu rastro é silêncio, promessa e abandono,
um beijo que arranca da carne o sagrado.

Chamo-te ao abismo com voz de viúva,
um canto que enlaça, vertigem febril;
meu corpo é a lâmina oculta na luva,
meu toque é veneno de fúria sutil.

Quem prova meus lábios se perde sem volta,
pois bebo da boca o sopro vital;
sou chama sombria em taça revolta,
banquete de sangue em rito carnal.

Na pele tão fria, a lua me veste,
o negro me guia, me chama a dançar;
nas veias da noite a vida me preste,
e os mortos se erguem ao som do meu ar.

Sou fêmea e abismo, a morte serena,
a cruz que se parte ao ver meu olhar;
meu riso é prelúdio da febre mais plena,
meu passo é o prelúdio do não despertar.

Luna Bela Morte, rainha sombria,
na treva sussurro teu último adeus;
teu sangue é meu vinho, tua agonia,
o hino profano que elevo aos céus.
Luna Bela Morte
Enviado por Luna Bela Morte em 28/08/2025
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