Luna Bela Morte
Scriptura aeternitatis obscurae.
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17/05/2026 03h30
Quando Nyxara desperta, até as velas parecem respirar.

 

Hoje a noite começou antes do pôr do sol. E sinceramente, já perdi completamente a noção do tempo, não sei mais o que é dia ou noite depois de tanto trabalho, trancada no meu quarto, montando cenários para fotos e preparando minha câmera fotográfica (uso uma Canon Eos R10 4k 24,2 Mp). Se eu não fosse escritora, talvez trabalhasse com fotografia, minha segunda paixão.

Fiz a impressão do livro, uma cópia apenas, para efeitos de trabalho e revisão. Eu gosto de revisar o trabalho impresso, porque sou meio antiquada mesmo (risos). E depois publico a edição definitiva com os contos dos autores convidados (participem!). As inscrições começam hoje.

Percebi que a noite está se fazendo mais presente enquanto organizava manuscritos espalhados pela mesa, cercada pelo cheiro de papel antigo, cera derretida e café frio esquecido ao lado de velas que queimavam lentamente como pequenas oferendas silenciosas. Há dias em que meu quarto deixa de parecer um lugar habitável e se transforma em algo entre biblioteca profana e ruína ritualística.

Ontem (sábado) foi um desses dias.

Porque os preparativos para o Halloween da Luna 2026 começaram! Sim, meus amores! O portal está oficialmente aberto!

E sinto no corpo aquela inquietação específica que antecede certas aberturas. Não ansiedade exatamente. Algo mais antigo. Como se alguma parte invisível do mundo estivesse começando a mover suas engrenagens lentamente, preparando terreno para Outubro.

Há noites que pertencem ao calendário.

Outras pertencem às trevas.

E este Halloween… não será apenas um evento.

Será passagem.

Minha personagem preferida, a bruxa Nyxara, retornará! Parece que foi ontem que a criei para fazer parte do meu universo literário que denomino "Ordo Umbrae".

Enquanto escrevo isso, ainda consigo visualizar fragmentos dela espalhados pelas páginas abertas diante de mim. Sua presença atravessando corredores esquecidos da Ordo Umbrae, carregando o grimório junto ao peito como quem transporta uma criatura viva. Talvez seja isso que mais me perturba nesse livro: ele nunca pareceu completamente fictício.

Algumas obras são inventadas.

Outras… parecem recuperadas.

O Grimório de Nyxara nasceu assim. Como um arquivo proibido encontrado tarde demais. Cada página construída não apenas para narrar, mas para contaminar lentamente quem a atravessa. Rituais vampíricos. Símbolos ancestrais. Fragmentos filosóficos escondidos sob camadas de sombra. Conhecimentos antigos o suficiente para carregarem cheiro de sepultura úmida.

E quanto mais o livro cresce… mais sinto que ele me observa de volta.

Talvez isso soe absurdo para quem nunca viveu verdadeiramente dentro da literatura. Mas escritores conhecem esse fenômeno silencioso: chega um momento em que a obra deixa de obedecer completamente ao autor.

Ela adquire fome própria.

Passei boa parte da tarde de ontem revisando detalhes da edição física. A capa premium. O miolo inteiramente colorido. As ilustrações ritualísticas criadas por meu amigo ilustrador Thorne Sepulcro, tão belas quanto desconfortáveis. Tudo precisa parecer exatamente aquilo que o livro é:

Um relicário amaldiçoado disfarçado de objeto literário. Aliás, sigam o Instagram dele: @thornesepulcro

Enquanto eu revisava meu livro, pensei nos leitores que receberão os exemplares em Outubro. Dez nomes escolhidos entre aqueles que atravessarem o Oráculo da Lua Negra durante este ciclo de Samhain.

Gosto dessa ideia.

A ideia de que certos livros não devem simplesmente ser comprados… mas conquistados através de travessias.

E talvez o próprio Oráculo compreenda isso melhor do que eu.

Há algo profundamente simbólico nas consultas que chegam até mim. Pessoas oferecendo fragmentos íntimos de suas dores, desejos, ruínas emocionais. E em troca recebem símbolos, caminhos, advertências… pequenas lanternas acesas dentro da própria escuridão.

Mas Samhain altera tudo.

Durante Outubro, o véu enfraquece.

As respostas chegam mais próximas da carne.

E algumas consultas deixam marcas que permanecem muito depois das cartas serem recolhidas.

Os leitores que alcançarem dez consultas até Outubro sequer precisarão depender do sorteio. Serão reconhecidos diretamente pelo Oráculo. Acho bela essa mecânica quase ritualística de permanência. Como se insistir na travessia acabasse abrindo caminhos que leitores comuns jamais enxergariam.

E então existem os Cães Fantasmas.

A matilha.

Gosto de imaginar essas almas espalhadas pelo Brasil, reunidas não fisicamente, mas pelo mesmo chamado obscuro. Pessoas que ainda escutam os uivos da noite enquanto o restante do mundo continua anestesiado pela banalidade cotidiana.

Porque é disso que se trata, no fundo.

Resistência.

Resistir à superficialidade. Resistir à domesticação da imaginação. Resistir à ideia miserável de que literatura deve apenas entreter em vez de transformar.

Esta noite o vento entrou forte pela janela enquanto eu escrevia. As velas vacilaram por um instante, e confesso que senti aquele arrepio familiar percorrendo os braços. O mesmo arrepio que sinto quando certas histórias se aproximam demais da realidade.

Talvez Nyxara já esteja atravessando.

Talvez certas portas tenham começado a se abrir antes mesmo de Outubro chegar.

E talvez alguns leitores já estejam sendo observados sem perceber.

Agora a madrugada avança lentamente. O quarto permanece iluminado apenas por velas e pela tela fria do computador. Em volta de mim, páginas abertas parecem respirar sob a penumbra.

E quanto mais olho para elas… mais compreendo uma verdade perigosa:

Algumas obras desejam ser lidas.

Outras desejam possuir espaço dentro de quem as abriu.

O Grimório de Nyxara pertence à segunda categoria.

E honestamente?

Talvez já seja tarde demais para fechá-lo outra vez.
 

Acessem essa página: aprendizdastrevas.com/halloweendaluna

Nesta página já publiquei todas as regras de participação.

 

Publicado por Luna Bela Morte
em 17/05/2026 às 03h30
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