
Demorou. E demorou muito. Deu muito trabalho. Um trabalho feito com dedicação e carinho.
Depois de atravessar madrugadas improdutivas, cafés frios, ideias que mordem e poemas que se recusaram a nascer comportados, meu novo livro finalmente existe no mundo. Não como produto fofinho. Como sim como objeto suspeito.
Chama-se “Poesia para ser lida no cemitério”, porque ler isso em lugar iluminado demais seria desperdício estético.
Este não é um livro que nasceu para agradar algoritmos ou prateleiras bem-comportadas. Ele nasceu da sombra. Cresceu no sonho. Aprendeu a falar baixo.
Cada poema aqui age como um convite indecoroso: olhar de frente aquilo que pulsa quando o mundo cala a boca e finge dormir. Não espere sustos baratos. O terror aqui não grita. Ele se aproxima devagar, senta ao seu lado e fica.
A beleza também não vem limpa. Ela vem perigosa.
Entre vinho tinto esquecido na taça, rosas vermelhas já cansadas de simbolismo e o luar que observa lápides sem pressa, a poesia se instala como um feitiço lento. Não é leitura para passar o tempo. É leitura para perder a noção dele.
Escrevi este livro para quem já entendeu que a escuridão não é ausência. É morada.
Para quem encontra descanso onde outros sentem medo.
Para quem sabe que cemitérios mentem menos do que gente viva em horário comercial.
Aqui, o macabro não afasta. Ele acolhe.
A morte não encerra. Ela conversa.
O silêncio não constrange. Ele explica.
Transformei o terror em linguagem íntima porque grito é coisa de quem não tem intimidade com a noite. Os poemas caminham entre o sonho e o sobrenatural, onde o silêncio é eloquente, a beleza é sombria e a noite tem voz própria. E ela fala bem.
Cada verso pede uma desaceleração forçada do mundo.
Sente-se.
Leia sob a lua, se puder.
Ou pelo menos finja que está longe do barulho.
Não há explicações fáceis aqui. Não há redenção obrigatória. Há travessia.
Alguns livros se leem. Este se atravessa.
Minha escrita é um véu mal costurado entre mundos, onde o amor funciona como feitiço e a morte aparece menos como fim e mais como convite à eternidade. Nada muito otimista. Nada mentiroso.
Se este texto despertou curiosidade, aviso com carinho ácido:
o livro já começou a te chamar.
Ignorar isso seria desperdiçar uma noite que poderia ter sido memorável.
Quem ousar entrar não volta incólume.
Vai carregar o eco da minha voz.
E, pior, vai perceber que a noite também sabe escrever.
O livro já está disponível pela Editora Uiclap.
O resto é escolha sua, mas a lua já deu a opinião dela.