
Para quem aprende a respirar quando a cidade se cala.
Para quem só se reconhece quando as luzes se apagam e o ruído humano adormece.
No dia 5 de fevereiro, a noite deixa de ser apenas cenário e se transforma em páginas.
Nasce um novo livro de poesia, escrito para os que caminham sob a lua como quem retorna para casa. Para os que entendem o cemitério não como fim, mas como território de escuta. Para aqueles que sabem que assombrações não são monstros, são memórias que se recusam a partir.
Cada poema foi gestado no silêncio das madrugadas, onde a luz não governa, apenas espreita à distância.
São versos que não pedem coragem, pedem entrega.
Não falam de medo, mas de intimidade.
Da beleza estranha que floresce quando se aceita a própria sombra.
Este livro não quer iluminar nada.
Ele quer acompanhar.
Como a lua acompanha os que nunca se encaixaram no dia.
Se você sente que a noite sempre falou mais alto dentro de você, talvez essas páginas também saibam dizer seu nome.
Em breve, tudo isso deixa de ser promessa.
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Algumas obras não chegam fazendo barulho.
Elas sussurram. E só quem pertence à noite escuta.